CIOSP, FALHAS E MELHORIAS
Do leitor Simões: A implantação do CIOSP, substituindo o COPOM com certeza foi um ato que modernizou este setor defasado da segurança pública. Mas é preciso direcionar o CIOSP para uma prestação de serviço ainda melhor através de medidas que deram certo em outros Estados. Este setor foi planejado para integrar todos os órgãos da SSP e dinamizar o atendimento dado a sociedade, porém os protocolos criados em razão do grande número de trotes aplicados diariamente, estão causando uma imensa burocracia nos atendimentos, retardando o tempo de resposta.
É preciso deixar claro para a sociedade que na época do COPOM, este sistema não funcionava em razão do pequeno número de militares que realizava o atendimento da grande demanda de solicitações e pelo fato também de que a aparelhagem utilizada era muito arcaica. Os Policiais que trabalhavam naquela época no COPOM realizavam o atendimento da chamada e em seguida, acionavam a viatura da área para atender a ocorrência. Hoje o atendimento realizado pelo CIOSP se parece mais com um atendimento de telemarketing, onde a pessoa responde a mil e uma perguntas para ter sua solicitação cadastrada. Sendo que só depois dessa filtragem de informações é que a ocorrência é direcionada para um militar que realiza o acionamento da viatura mais próxima. São minutos valiosíssimos quando se trata de ocorrência policial.
Outro fato que precisa ser esclarecido e que foi bastante debatido pela sociedade e mídia, diz respeito à possível utilização de policiais e bombeiros militares para realizarem o atendimento. Muitos defenderam que este “desvio” causaria prejuízos ainda maiores ao policiamento ostensivo. Na verdade o que causa prejuízo ao policiamento ostensivo hoje no Estado de Sergipe é os militares que se encontram em gabinetes, assembléias e a disposição de certos parlamentares, dirigindo, abrindo portas ou até mesmo servindo cafezinho. A Polícia Militar é constituída pela função fim e a função meio, ou seja, o policiamento ostensivo e seu suporte administrativo ao policiamento propriamente dito. Retirar alguns PM´s da função fim para dar o suporte necessário na função meio é dar qualidade ao serviço prestado a sociedade sergipana.
Acredito ainda que este simples fato acima não seja suficiente para impedir que outros casos como daquele comerciante venham deixar de acontecer. É preciso que os atendentes, sejam militares ou contratados, realizem além do atendimento às chamadas, uma prestação de informação ao cidadão de acordo com cada ocorrência como acontece em alguns Estados, por exemplo, onde o militar é quem atende a ocorrência, aciona o sistema de emergência e durante todo o evento passa orientações para a pessoa que ligou, diminuindo sensivelmente o tempo de resposta e salvando vidas que é o mais importante. Este princípio tem aproximado a sociedade dos órgãos de segurança pública.
Porém, há ainda mais questões a serem debatidas sobre este novo sistema que o governo investiu. É preciso investigar os fatos levantados sobre os apadrinhamentos de atendentes e as empresas beneficiadas com a sua implantação. E precisamos lembrar que nós somos os clientes e precisamos zelar e cobrar pela qualidade do serviço prestado, sugerir mudanças e reconhecer os avanços.
Fonte: Blog do jornalista Cláudio Nunes

